sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O VERMELHO ESCARLATE DE RAABE



O VERMELHO ESCARLATE DE RAABE (J.F.de ASSIS)



Josué estava sitiando (cercando) a cidade de Jericó com o objetivo de conquista-la, então ele mandou dois homens de Israel como espias (ou espiões) para observar a cidade e seus moradores. O rei de Jericó já sabia que a qualquer momento Jericó seria atacada pelo exército de Israel e tomou suas providencias: mandou fechar as portas da cidade, escalou sentinelas e guardou os largos muros da cidade.

Não adiantou muito, os espias entraram na cidade, mas logo foram identificados e os soldados de Jericó passaram a fazer uma minuciosa busca de casa em casa, esperando prender os homens de Josué. Nessa situação de risco iminente os dois homens conseguiram entrar na casa de Raabe, uma mulher de má reputação em Jericó, e ela escondeu os espias de tal forma que os soldados foram embora de sua casa certos de que nenhum israelita estava ali.

Depois de se desfazer dos soldados de Jericó, Raabe foi falar com os seus “hospedes”  Raabe fez sua profissão de fé no Deus de Israel, ela reconheceu o Poder do Senhor dos Exércitos. Depois de livrar da morte os judeus que foram espiar a terra, Raabe pediu por sua vida e pela vida de sua família, que eles fossem poupados assim como ela usou de misericórdia para com as vidas deles.

A casa de Raabe ficava em cima dos muros de Jericó e suas janelas se abriam para fora da cidade, então, aproveitando as sombras da noite, Raabe pegou uma corda escarlate e, através dela, desceu os espias pelo muro, para que eles pudessem voltar em segurança para o acampamento de Israel. Os espias se despediram de Raabe com uma recomendação: Eis que, quando nós entrarmos na terra, atarás este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer; e recolherás em casa contigo a teu pai, e a tua mãe, e a teus irmãos e a toda a família de teu pai. ” (Josué 2:18). O cordão de fio de escarlate serviria de sinal, para que ninguém em Israel fizesse mal a Raabe e sua família. A palavra escarlate é um vernáculo oriundo da língua Persa. É um tom cuja matiz pende para a cor laranja. É uma cor considerada mais vermelho do que o próprio vermelhão. É a cor do sangue, ele é composto do vermelho e laranja.

Israel conquistou Jericó sem lançar um dardo contra os muros da cidade, porque Deus derrubou as muralhas de Jericó e Israel subiu sobre as ruinas e matou todos os seus habitantes. O mais impressionante nessa bela história é que a casa de Raabe, que ficava sobre os muros, foi a única parte deles que não desmoronou. Precisamente a parte do muro onde ficava a casa de Raabe, onde havia o cordão de fio de escarlate na janela, foi poupada da destruição. Deus honrou o juramento de Seus servos.

O fio de escarlate é um tipo do sangue de Jesus, que nos salva de todas as formas como alguém pode ser salvo. Aquele fio vermelho representava a salvação de Raabe e sua família, assim como o sangue de Jesus, derramado na cruz, representa a salvação de nossas almas. Assim como na casa de Raabe, o fio escarlate do sangue de Jesus precisa ficar na janela do nosso coração, como selo da salvação. Somente Deus poderia garantir o resgate com segurança da família de Raabe, da mesma forma como somente Jesus pode garantir nossa salvação.

Raabe não tinha uma boa reputação em Jericó, mas ela se arrependeu de seus pecados e professou sua fé no Deus de Israel e foi honrada por Deus fazendo parte da genealogia de Jesus. Nenhum de nós foi “flor que se cheirasse” antes de reconhecer Jesus como Salvador, porém Deus perdoou nossos pecados através de Jesus e deles não se lembra mais. O que importa, o que vale mesmo é nossa vida depois da salvação e é dessa nova vida que prestaremos contas diante do trono de Deus. A melhor coisa que eu já fiz foi reconhecer Jesus como meu Salvador e com você não será diferente.



O FIO DE ESCARLATA

“Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo SENHOR que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai; e que me dareis um sinal certo; se, vindo nós à terra, não atares este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer; e se não recolheres em casa contigo teu pai, e tua mãe, e teus irmãos, e a toda a família de teu pai.  Qualquer que sair para fora da porta da tua casa, o seu sangue lhe cairá sobre a cabeça, e nós seremos inocentes; mas o sangue de qualquer que estiver contigo em casa caia sobre a nossa cabeça, se alguém nele puser mão. E ela disse: Segundo as vossas palavras, assim seja. Então, os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela. (Josué 2: 12, 18,19-21)

Sabemos que em toda a Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, contém mistérios que por muitas vezes não são compreendidos por quem os lê, não entendem de que se trata de algo muito importante não só histórico, mas Principalmente Profético. O FIO DE ESCARLATA É UM DESTES MISTÉRIOS PROFÉTICOS. Citamos alguns versículos do Capítulo 2 do Livro de Josué que narra toda estratégia para a tomada da cidade de Jericó. Não citamos todos os versículos assim como também não falaremos de todos, pois o principal objetivo é mostrar o significado do FIO DE ESCARLATA. No entanto iremos apresentar alguns personagens e alguns pontos para podermos entender melhor sobre O FIO DE ESCALATA E SEU ENSINO.

A CIDADE DE JERICÓ: Se pesquisarmos iremos ver o quanto esta cidade era abominável aos olhos de Deus, por tantos pecados cometidos, principalmente cultos a outros deuses e outros tipos de idolatrias. Por isto a destruição era necessária, pois o povo de Deus iria tomar aquela terra como posse e não deveria permanecer nada que fosse impuro ou pecaminoso aos olhos de Deus. O mundo atual também se encontra como Jericó, cheio de pecados e abominável aos olhos de Deus, e por isto um grande juízo também virá sobre este mundo.

RAABE: RAABE olha pela janela quando a luz do amanhecer começa a cobrir a planície onde fica Jericó. Um exército invasor, a nação de Israel, está reunido fora dessa antiga cidade. Quando os israelitas iniciam outra marcha ao redor de Jericó, ouve-se o penetrante som de suas buzinas, e suas pisadas levantam uma grande nuvem de poeira. Jericó é o lar de Raabe; ela conhece suas ruas, suas casas e suas oficinas e lojas apinhadas de pessoas. Ela conhece ainda melhor o povo dessa cidade. Pode perceber o medo do povo aumentar à medida que o tempo passa e Israel continua seu estranho ritual de marchar em volta da cidade uma vez por dia. Mas, enquanto o som das buzinas ecoa nas ruas e esquinas de Jericó, Raabe não sente o medo e o desespero que seu povo sente.

Raabe vê o exército iniciar sua marcha logo cedo no sétimo dia. Entre os soldados israelitas, estão sacerdotes tocando buzinas e levando a arca sagrada que representa a presença do Deus deles, Jeová. Podemos imaginar a mão de Raabe repousando na corda escarlate pendurada em sua janela, que dá para o lado de fora da grande muralha de Jericó. Essa corda lembra a Raabe que ela e sua família têm esperança de sobreviver à destruição da cidade. Será que ela é uma traidora? Não do ponto de vista de Jeová, pois ele a vê como uma mulher de notável fé. Vamos voltar ao início da história de Raabe e ver o que podemos aprender dela.

RAABE, A PROSTITUTA: Raabe era uma prostituta. Alguns comentaristas bíblicos do passado ficaram tão chocados com esse fato que chegaram a afirmar que ela era apenas a dona de uma hospedaria. Mas a Bíblia é bem clara e não esconde os fatos. (Josué 2:1; Hebreus 11:31; Tiago 2:25) Na sociedade cananeia, a profissão de Raabe talvez fosse considerada aceitável. É verdade que a influência da cultura pode ser forte, mas não a ponto de eliminar a consciência, aquele senso interior do certo e do errado que Jeová deu a todos nós. (Romanos 2:14, 15) Raabe pode ter percebido que seu estilo de vida era degradante. Talvez, como muitos hoje, ela se sentisse obrigada a levar esse tipo de vida por não ter alternativa para sustentar sua família.

Raabe sem dúvida ansiava uma vida melhor. A terra de Canaã estava cheia de violência e depravação, incluindo incesto e bestialidade. (Levítico 18:3, 6, 21-24). Esses pecados eram muito comuns naquele lugar por causa da religião. Os templos promoviam rituais que envolviam prostituição, e a adoração de deuses demoníacos como Baal e Moloque incluía queimar crianças vivas em fogueiras sacrificiais. Jeová não era indiferente ao que acontecia em Canaã. De fato, por causa das muitas práticas perversas dos cananeus, Jeová disse: “A terra é impura e eu trarei sobre ela punição pelo seu erro, e a terra vomitará os seus habitantes. ” (Levítico 18:25) O que estava envolvido nessa punição? O próprio Deus explicou, quando prometeu a Israel: “Jeová, teu Deus, certamente removerá estas nações pouco a pouco de diante de ti.” (Deuteronômio 7:22) Séculos antes, Jeová, o ‘Deus que não pode mentir’, tinha dito que daria essa terra à família de Abraão. — Tito 1:2; Gênesis 12:7.

Jeová também decretou que certos grupos no país seriam completamente eliminados. (Deuteronômio 7:1, 2) Como o justo “Juiz de toda a terra”, ele conhecia muito bem cada pessoa e sabia o quanto a maldade e a depravação estavam arraigadas em seu coração. (Gênesis 18:25; 1 Crônicas 28:9) Raabe sabia que a cidade estava condenada. Imagine como ela se sentiu quando os relatos sobre Israel chegaram a seus ouvidos. Ela sabia que, com a liderança de Jeová, Israel havia vencido o Egito, o exército mais poderoso daquela época, que por anos havia escravizado os israelitas. E agora Israel estava prestes a atacar Jericó! Mesmo assim, o povo daquela cidade persistia em sua maldade. É por isso que a Bíblia fala dos cananeus como “os que agiram desobedientemente”. — Hebreus 11:31.

Raabe não era assim. Com o passar dos anos, ela talvez tenha meditado nos relatos que ouviu sobre Israel e seu Deus, Jeová. Como ele era diferente dos deuses cananeus! Aí estava um Deus que lutava por seu povo em vez de tratá-lo cruelmente, que fazia seu povo ter uma moral elevada em vez de degradá-lo. O Deus de Israel dava muito valor às mulheres, e não as tratava como um mero objeto sexual que podia ser comprado, vendido e humilhado numa adoração repulsiva. Quando soube que Israel estava acampado do outro lado do Jordão, prestes a invadir, Raabe deve ter ficado preocupada sobre o que poderia acontecer com seu povo. Será que Jeová notou Raabe e deu valor ao que havia de bom nela?

Hoje em dia, há muitas pessoas como Raabe. Elas estão presas num estilo de vida que tira sua dignidade e alegria; acham que ninguém se importa com elas e se sentem sem valor. O caso de Raabe é um lembrete consolador de que nenhum de nós é invisível para Deus. Não importa o quanto nos sintamos insignificantes, ‘ele não está longe de cada um de nós’. (Atos 17:27) Ele está pronto e ansioso para dar esperança a todos os que exercem fé nele. Será que Raabe tinha essa fé?

ELA RECEBEU OS ESPIÕES: Certo dia, algum tempo antes de Israel marchar em volta de Jericó, dois estranhos apareceram na porta de Raabe. Eles esperavam que ninguém os notasse, mas como havia tanta tensão naquela cidade, muitos estavam alertas contra qualquer possível espião israelita. A perspicaz Raabe talvez tenha percebido logo quem eles eram. Não era incomum homens desconhecidos virem à sua porta, mas esses dois queriam apenas hospedagem — e não os serviços de uma prostituta. De fato, os dois homens eram espiões do acampamento de Israel. Seu comandante, Josué, os havia enviado para descobrir os pontos fortes e fracos de Jericó.

Essa era a primeira cidade cananeia que Israel invadiria. E talvez fosse a mais forte delas. Josué queria saber exatamente o que ele e seus homens enfrentariam. Os espiões sem dúvida escolheram a casa de Raabe de propósito. De todos os lugares, a casa de uma prostituta seria o lugar perfeito para um desconhecido ficar sem levantar suspeitas. Além disso, os espiões talvez esperassem conseguir informações úteis de alguma conversa que por acaso ouvissem. A Bíblia diz que Raabe ‘acolheu hospitaleiramente os mensageiros’. (Tiago 2:25) Mesmo que suspeitasse quem eles eram e por que estavam ali, ela os recebeu em sua casa e os deixou ficar. Ela talvez esperasse aprender mais sobre o Deus deles, Jeová.

Mas, de repente, mensageiros do rei de Jericó chegaram. A notícia de que havia espiões de Israel na casa de Raabe tinha se espalhado. O que Raabe faria? Se ela protegesse esses dois estranhos, não estaria colocando em perigo a si mesma e toda sua família? Será que o povo de Jericó não mataria a todos se ela desse abrigo a esses inimigos? Mas, pelo menos, agora Raabe não tinha dúvidas sobre a identidade dos homens. Se ela já entendia que Jeová era um Deus superior ao deus dela, essa era a oportunidade perfeita para ficar do lado do Deus verdadeiro.

Raabe tinha pouco tempo para pensar, mas ela foi esperta e agiu rápido. Ela escondeu os espiões no telhado plano, entre as hastes de linho deixadas para secar. Então ela disse aos mensageiros do rei: “Sim, os homens vieram a mim e eu não sabia donde eram. E sucedeu que os homens saíram quando se fechou o portão ao escurecer. Eu simplesmente não sei para onde os homens foram. Ide depressa no encalço deles, pois os alcançareis. ” (Josué 2:4, 5) Imagine Raabe vendo o rosto dos emissários do rei. Será que ela ficou preocupada de que eles pudessem perceber o quanto ela estava nervosa?
Raabe colocou sua vida em perigo ao esconder dois servos de Jeová entre hastes de linho A tática funcionou. Os homens do rei correram em direção ao Jordão. (Josué 2:7) Raabe deve ter dado um discreto suspiro de alívio. Usando essa estratégia simples, ela despistou assassinos que não tinham o direito de saber a verdade e salvou a vida dos servos de Jeová.

Raabe correu para o telhado e disse aos dois espiões o que havia feito. Ela também revelou um fato importantíssimo: o povo dela havia perdido a esperança e estava aterrorizado por causa dos invasores. Essa boa notícia deve ter deixado os espiões muito contentes. Aqueles cananeus perversos agora estavam apavorados por causa do poder do Deus de Israel, Jeová. Daí, Raabe mostrou que  tinha fé em Jeová ao dizer algo que deve interessar cada um de nós: “Jeová, vosso Deus, é Deus nos céus em cima e na terra embaixo.” (Josué 2:11) Essa fé se baseava nos relatos que ela tinha ouvido sobre Jeová. Esses relatos tinham lhe ensinado pelo menos uma coisa: o Deus de Israel era digno de sua confiança.

Para Raabe, não havia dúvida de que Jeová daria a vitória a Seu povo. Então ela suplicou por misericórdia, implorando que ela e sua família fossem poupadas. Os espiões concordaram, com a condição de que ela mantivesse segredo. Ela também devia pendurar uma corda escarlate em sua janela na muralha da cidade para que os soldados pudessem proteger a ela e sua família. — Josué 2:12-14, 18. Podemos aprender de Raabe uma verdade essencial sobre a fé. Como a Bíblia diz, “a fé segue à coisa ouvida”. (Romanos 10:17). Ela ouviu relatos confiáveis sobre o poder e a justiça de Jeová Deus. Por isso, exerceu fé e confiou nele. Hoje, temos à nossa disposição muito mais conhecimento sobre Jeová do que ela tinha. Será que buscamos conhecê-lo e exercemos fé nele com base no que aprendemos em sua Palavra, a Bíblia?

A QUEDA DE UMA PODEROSA FORTALEZA: Seguindo o conselho de Raabe, os dois espiões desceram a muralha por uma corda e fugiram para as montanhas. Havia muitas cavernas ao longo das encostas ao norte de Jericó. Nelas os espiões podiam se esconder até que fosse seguro voltar ao acampamento israelita com as boas notícias que tinham ouvido de Raabe. Raabe mostrou que tinha fé no Deus dos israelitas.Mais tarde, o povo de Jericó certamente tremeu de medo ao saber que Jeová havia milagrosamente parado as águas do rio Jordão, e que Israel tinha atravessado pelo leito seco do rio. (Josué 3:14-17). Essas notícias davam a Raabe ainda mais certeza de que havia agido certo ao confiar em Jeová.

Daí, Israel passou a marchar em volta de Jericó durante seis dias, uma marcha por dia. Agora, o sétimo dia tinha chegado, mas havia algo diferente. Como mencionado no início deste artigo, a marcha começou ao nascer do sol, mas após a primeira volta o exército continuou marchando em volta de Jericó. (Josué 6:15) O que os israelitas estavam fazendo? O que aconteceria a seguir?
Ao fim da sétima marcha do sétimo dia, o exército parou. O som das buzinas se calou. O silêncio pairava no ar. Dava para sentir a tensão naquela cidade. Daí, a um sinal de Josué, o exército de Israel elevou sua voz pela primeira vez, dando um poderoso grito. Será que os guardas em cima da muralha de Jericó pensaram que isso era uma forma diferente de ataque? Se pensaram, não foi por muito tempo. A sólida muralha começou a tremer sob os pés deles. Ela balançou, rachou e então caiu rente ao chão. Mas, quando a poeira baixou, podia-se ver que uma parte da muralha estava intacta. A casa de Raabe ainda estava de pé, um monumento solitário à fé daquela mulher. Imagine o que ela sentiu ao ver como Jeová a havia protegido. * Sua família estava a salvo. — Josué 6:10, 16, 20, 21.

Os israelitas também ficaram impressionados com a fé de Raabe. Quando eles viram aquela única casa de pé em meio às ruínas, souberam que Jeová estava com essa mulher. Ela e sua família foram poupadas da execução que sobreveio àquela cidade perversa. Depois da batalha, permitiu-se a Raabe morar perto do acampamento de Israel. Com o tempo, ela mesma se tornou parte do povo judeu. Ela se casou com um homem chamado Salmom. O filho deles, Boaz, se tornou um homem de impressionante fé. Ele se casou com a moabita Rute. (Rute 4:13, 22) O Rei Davi, e mais tarde o próprio Messias, Jesus Cristo, descenderam dessa notável família. (Josué 6:22-25); (Mateus 1:5, 6, 16).

A história de Raabe mostra que nenhum de nós é insignificante para Jeová. Ele se importa com todos nós, vê o que há em nosso coração e fica feliz quando encontra nem que seja apenas um pequeno sinal de fé como o que encontrou no coração de Raabe. Sua fé fez com que ela agisse. Como a Bíblia diz, ela foi “declarada justa pelas obras”. (Tiago 2:25). Que sejamos sábios e imitemos sua fé!

A experiência da prostituta Raabe é uma das mais belas histórias de salvação pela graça “mediante a fé” (Efésios 2:8) encontradas nas páginas do Antigo Testamento. Como Abraão foi justificado pela fé (Gênesis 15:6; Romanos 4), e essa fé se evidenciou na prática de boas obras (Tiago 2:21-24), assim também o foi Raabe. (Hebreus 11:31) declara que “pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias”. E Tiago 2:25 acrescenta que a fé dessa mulher foi genuína porque resultou na prática de boas obras.

Mas o fato da vida de Raabe ser poupada, sendo ela uma prostituta e havendo mentido aos emissários do rei de Jericó, não significa que Deus estivesse sancionando tais pecados explicitamente condenados no Decálogo (Êxodo 20:14 e 16). Nesse incidente, Deus manifestou Sua graça salvadora a uma prostituta possuída de uma fé genuína, com o propósito de salvá-la de sua vida de pecado. O mesmo poder regenerador que atuaria na vida da “mulher adúltera”, durante o ministério terrestre de Cristo (João 8:1-11), também transformou a vida da prostituta Raabe. E o mesmo amor compassivo que perdoaria as mentiras do pretensioso apóstolo Pedro (Marcos 14:27-31; 66-72) também perdoou a mentira de Raabe.

A galeria dos heróis da fé (Hebreus 11), da qual Raabe faz parte, não é composta por santos que nunca pecaram, mas por pecadores que pela graça divina alcançaram a vitória sobre os seus pecados. Essa galeria é formada por pessoas que, à semelhança do filho pródigo (Lucas 15:11-32), deixaram as imundícies de uma vida de pecado e voltaram à casa paterna; pessoas que estavam mortas em “delitos e pecados”, mas que foram regeneradas pela graça divina (Efésios 2:1 e 5). Assim como Deus perdoou e regenerou Raabe, Ele também está disposto a perdoar e regenerar a cada um dos demais seres humanos atingidos pelos “dardos inflamados do maligno” (Efésios 6:16).

Uma mulher pecadora, mas que já havia escutado falar dos feitos do Senhor no meio do seu povo, e como Deus os deu vitórias em batalhas anteriores, ou seja, ela sabia que sua vida estava em risco e que também não seria poupada. Todos nós somos pecadores e por certo também já ouvimos falar dos feitos de Deus, e de tudo que está por vir. Assim como Raabe, precisamos nos posicionar e tomar uma decisão, pois caso contrário o juízo também virá sobre nós.

ESPIAS: Os espias foram enviados por Josué para uma missão muito especial, e nesta missão eles encontraram Raabe, e eles anunciaram a ela tudo o que viria acontecer a cidade de Jericó, o juízo e destruição que estava por vir sobre toda a cidade. Em nossos dias também está sendo anunciado o que está para acontecer a este mundo, está sendo anunciado o grande juízo que virá. Deus através de seus servos, sua igreja fiel, tem anunciado todas as coisas. O evangelho de salvação, o evangelho para arrependimento está sendo pregado para que todos possam, assim como Raabe terem uma oportunidade de se livrarem da IRA e do JUÍZO de Deus. 

O FIO DE ESCARLATA: Aqui se encontra o grande mistério. O FIO DE ESCARLATA foi usado como um sinal na casa de Raabe. Este fio vermelho foi posto na janela de sua casa, como sinal de um pacto, de uma promessa, um acordo que foi selado. Quando Josué viesse com seu exército para tomar e destruir toda a cidade de Jericó, vendo eles o FIO DE ESCARLATA na janela da casa de Raabe, eles não entrariam e não causariam danos, destruição e nem juízo a todos aqueles que ali estivessem com ela.

Aqui nós encontramos algo maravilhoso, algo não somente histórico, mas acima de tudo PROFÉTICO. O que seria O FIO DE ESCARLATA? QUE SINAL SERIA ESTE E O QUE SIGNIFICA? Não iremos citar todas as passagens Bíblicas que nos possam servir como resposta, mas citaremos alguns pontos. O FIO DE ESCARLATA, profeticamente já nos apontava e mostrava que a nossa SALVAÇÃO viria através do SENHOR JESUS, DA SUA MORTE NA CRUZ DO CALVÁRIO, E QUE SEU SANGUE DERRAMADO POR NÓS É QUE NOS GARANTE A SALVAÇÃO E QUE NOS LIVRARÁ DE TODO O JUÍZO QUE ESTÁ POR VIR SOBRE ESTE MUNDO CHEIO DE PECADOS.

Quando Israel estava para sair do Egito, a última praga/juízo foi a morte dos primogénitos. Bem sabemos que apenas nas casas do povo de Deus é que não houve o juízo da morte dos primogénitos. Lembrem-se que o sinal para que a morte não entrasse em suas casas era o Sangue nos umbrais e vergas das portas (Êxodo 12:12-13). Um dia você também ouviu falar sobre o quanto Deus te ama e o plano de Salvação que ele tem para sua vida, e como ele quer te livrar da morte, da ira vindoura.

Mesmo sendo pecador assim como Raabe, você aceitou o sinal em sua vida, você aceitou o sacrifício de Jesus e você creu que pelo Seu sangue derramado na cruz do calvário, os seus pecados foram perdoados. O FIO DE ESCARLATA por ser vermelho podia ser visto a distância: da mesma forma Deus olha para você, e mesmo à distância, ELE pode ver que em você já não há pecados, mas ELE vê sim, a confissão, e a fé de que somente pelo sacrifício e pelo sangue de Jesus é que você será salvo. Todos precisamos desde sinal, desta marca em nossas vidas, na nossa casa, no nosso coração. E assim seremos livres da ira e do Juízo de Deus que virá sobre este mundo.

AS CONDIÇÕES PARA QUE A PROMESSA DOS ESPIAS FOSSEM CUMPRIDAS:  1. Raabe deu ouvidos, aceitou ao que eles disseram, ela temeu ao que estava por vir: Nós precisamos ouvir o que está sendo pregado e anunciado, precisamos aceitar, crer na mensagem de salvação, e temer ao juízo que está por vir. 2. Raabe fez um acordo e cumpriu: Precisamos tomar a decisão de aceitar ao Senhor Jesus como nosso Salvador, e não voltarmos atrás, pôr a mão no arado e não olhar para trás, deixar a velha vida, e viver esta nova aliança, este novo acordo, este novo pacto que foi selado na cruz do calvário.

Não podemos negar a Cristo, precisamos nos manter firmes até que Jesus volte e que haja em nós o sinal, que O FIO DE ESCARLATA esteja posto em nossos corações, precisamos ser vistos por Deus através do Sangue do Senhor Jesus que foi vertido na cruz. 3. Raabe obedeceu às orientações dadas: Era necessário estar dentro de casa, ninguém poderia estar fora quando a cidade fosse invadida.


O livramento seria onde O FIO DE ESCARLATA estivesse. Raabe não podia salvar a sua família. Mas seriam salvos todos aqueles que assim como ela estivessem dentro de casa onde foi posto O FIO DE ESCARLATA. Só assim eles também seriam salvos e poupados do juízo. Precisamos entender que a Salvação é individual, é para todos que forem fiéis até o fim, todos os que obedecerem a vontade de Deus. A Salvação será para todos que aceitarem estar debaixo da sua graça e do seu amor revelado na pessoa do Senhor Jesus. Amor que se revelou na cruz do calvário por todos nós. Os que estiverem fora, afastados, na cidade não terão suas vidas poupadas porque não estão juntos do FIO DE ESCARLATA, não estão aos pés da cruz, aos pés do Salvador. Nós não podemos salvar ninguém a menos que estes também estejam juntos e em comunhão com todos aqueles que creem no Sacrifício do Senhor Jesus, O NOSSO FIO DE ESCARLATA, NOSSO SALVADOR.  AMÉM

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ENTENDENDO O PENTATEUCO


ENTENDENDO O PENTATEUCO (J.F. de ASSIS)


O Antigo Testamento é composto por 39 livros. Esses livros foram agrupados de forma a facilitar o entendimento do leitor, sendo (Pentateuco, Livros históricos, Livros poéticos, profetas maiores e profetas menores). Dentro desse agrupamento de livros, temos um grupo muito especial de escritos sagrados que se chama Pentateuco. Pentateuco é uma palavra grega pentateuchos”, que significa “cinco volumes” e que é usada para designar os cinco primeiros livros da Bíblia (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio). Os judeus também chamavam esses livros de “A lei” e usam uma palavra muito conhecida para designá-los: Torá. A autoria do Pentateuco, tradicionalmente considerado como Lei de Moisés, foi atribuída a este grande líder do povo hebreu tanto pelo judaísmo como pelo cristianismo antigo. Hoje, sabe-se que nenhum destes livros se pode atribuir a um único autor e menos ainda a Moisés, pois todos tiveram uma história literária complexa.

Para além desta referência a Moisés, os livros do Pentateuco têm uma certa sequência temática, pois descrevem as origens do povo de Israel até à sua definitiva instalação em Canaã. Nomeadamente: a origem da humanidade e do próprio povo hebreu na época patriarcal, a saída do Egito e a longa travessia do deserto; é nesta última fase que aparecem enquadradas as leis fundamentais para a vida religiosa e social dos israelitas. Longas secções narrativas alternam com grandes conjuntos de leis. O modo de escrever daquele tempo, misturando História, Direito e Liturgia, não coincide com o nosso modo de fazer História; ao mostrarem a intervenção de Deus nessa História, os autores do Pentateuco pretendem também apresentá-la como modelo da presença de Deus na História de cada povo.

FORMAÇÃO DO PENTATEUCO

Segundo alguns estudiosos, o texto atual deste conjunto resultaria de uma história literária anterior, a que chamam “fontes” ou “documentos” conhecidos com o nome de Javista (J), Eloísta (E), Sacerdotal (P) e Deuteronomista (D). De qualquer modo, o Pentateuco não foi escrito de uma só vez nem é obra de um único escritor. Foi escrito a partir de tradições orais e escritas que se foram juntando progressivamente e formando unidades maiores ao longo da história. A junção de todo o material só se deu na época pós-exílica, altura em que se pode falar da redação final do Pentateuco. Certamente que o período à volta do Exílio influenciou a leitura de todo esse património histórico e religioso; mas, as tradições e outros materiais podem ser bastante antigos e manter, na sua forma final, os traços dessa antiguidade. Provavelmente, o processo de formação dos cinco primeiros livros da Bíblia desenvolveu-se, nas suas linhas gerais, em vários períodos.

No início estaria um núcleo narrativo histórico bastante restrito, da época de Salomão. Este núcleo é depois retomado e ampliado por volta dos finais do séc. VIII a.C., recolhendo tradições e fragmentos do reino do Norte e relendo tradições antigas numa nova perspectiva. No séc. VIII aparece o Deuteronómio primitivo, descoberto no tempo de Josias (622 a.C.) e incluindo essencialmente leis e um pequeno prólogo. É depois ampliado para dar o texto atual de Dt 1-28. As questões levantadas pelo Exílio fazem aparecer a grande obra histórica «deuteronomista» que se vai elaborando ao longo de várias fases, integrando, de algum modo, todos os materiais já recolhidos anteriormente. Esta grandiosa reconstrução provoca uma série de retoques «deuteronomistas», ao longo de todo o texto do Pentateuco, que já estaria redigido.

No exílio da Babilónia aparece o «escrito sacerdotal primitivo», obra dos sacerdotes exilados. Depois do regresso do Exílio, no séc. V, este escrito é combinado com os precedentes, retocado e aumentado nalguns aspectos e vai ocupar um lugar dominante no conjunto da narração. A esta redação final se deve o termo de toda a trama narrativa na morte de Moisés e, logicamente, a delimitação do Pentateuco, separando o Deuteronómio do resto da história deuteronomista. Este trabalho deve ter sido concluído por volta do ano 400 a.C.

O PENTATEUCO E A HISTÓRIA DE ISRAEL

O Pentateuco recebeu inegáveis influências de todos estes documentos ou tradições e de muitos outros fatores ligados à História e à religião de Israel. Mas, o que os autores do Pentateuco pretendem manifestar nesta História Sagrada não é tanto o povo com as suas virtualidades e peripécias históricas, mas o domínio absoluto de Deus sobre todas as coisas e sobre todas as instituições humanas, incluindo a realeza, que no Médio Oriente era considerada de origem divina. O poder vem de Deus e da sua Palavra, transmitida pelos seus intermediários.

Esta “Lei” não é um simples conjunto de leis humanas; é um “ensinamento” para viver segundo a vontade de Deus, um chamamento à perfeição e à santidade: «Porque Eu sou o Senhor que vos fez sair do Egito, para ser o vosso Deus. Sede santos, porque Eu sou santo. (Levítico 11:45) O Pentateuco é a Carta magna do judaísmo pós-exílico. Após esta difícil, mas frutífera experiência, o Estado judaico, antes apoiado nas estruturas da monarquia davídica, passa a reger-se unicamente pela “Lei” de Deus e deixa-se orientar pelos que detêm o monopólio do culto, os sacerdotes. Uma comunidade monárquica transforma-se numa comunidade cultual em honra do Deus da Aliança. São os sacerdotes que editam e reeditam a Lei.

Sendo uma História Sagrada em que se manifesta a presença do Deus da Aliança na vida do seu povo, o Pentateuco desenvolve-se a partir de três fatores principais: a epopeia do Êxodo, a Lei do Sinai e a fé num Deus único. Por isso, mais tarde, e diferentemente de outros povos, Israel não necessitou da monarquia para sobreviver.

LEITURA CRISTÃ DO PENTATEUCO

O Pentateuco é uma história nunca terminada, mas sempre aberta às infinitas possibilidades do Senhor da História. Podemos, pois, dizer que o resto do Antigo Testamento é, de algum modo, uma releitura contínua do Pentateuco à luz de novos acontecimentos da História de Israel e do mundo que o rodeia. Mas o Pentateuco também aponta para um novo Êxodo, para uma outra Terra Prometida, para uma outra presença de Deus Jesus Cristo. Ele é a nova Lei, a nova manifestação de um Deus que nunca cessa de renovar a Aliança com o seu povo. Cristo e os primeiros discípulos leram o Pentateuco como uma história aberta que se completa na vinda do Messias. A partir daí a relação do homem com Deus já não passa pela observância material da Lei, mas pelo seguimento de Cristo. Porém, aquilo que se põe de lado não é o Pentateuco, mas apenas a interpretação fechada que dele fez o judaísmo rabínico.

Assim, o Pentateuco não só não impede, mas ajuda a compreensão de Cristo e do seu Evangelho: ao lê-lo, pensamos no Evangelho, e quando lemos o Evangelho, encontramos as suas raízes no Pentateuco; não se pode ler os mandamentos da Lei, sem os comparar com os mandamentos da Nova Lei as Bem-aventuranças. Os cristãos reconhecem em Cristo a Palavra de Deus encarnada, e no Evangelho, a Nova Lei; Lei que não vem abolir a antiga, mas dar-lhe toda a perfeição (Mateus 5:17-18). Cristo, de que Moisés era apenas uma figura, veio fundar um novo povo, uma nova comunidade, liberta na Páscoa da sua Paixão-Ressurreição. Numa palavra, Cristo é, para os seus discípulos, a nova Lei, a nova Páscoa, o novo Templo de Deus entre os homens (João 2:21; Apocalipse 21:3.22), a nova Aliança, não apenas com um povo, mas com toda a Humanidade.

O LIVRO DO GÊNESIS: O primeiro livro da Bíblia recebeu o nome de Gênesis, porque suas linhas contam a história da criação do mundo e do próprio homem, o surgimento do pecado e do ódio e outros sentimentos baixos que afetaram a criação divina de forma direta. O livro trata das raças e do próprio povo de Israel. Sua narrativa data dos séculos IX e VI a.C, sendo que sua escrita final se deu no século V a.C.

Gênesis1:11 é a história das origens da humanidade. Gênesis 12:25 é a história dos patriarcas Abraão, Isaac, Jacó e José (um dos filhos de Jacó). O livro começa narrando a história da criação do mundo e de todos os seres vivos. A criação não é mero capricho de Deus, mas um gesto de amor. A semana é apenas um artifício literário para ensinar que tudo o que existe é obra de Deus e quer reforçar o descanso sabático.

O ápice desta criação e, portanto, desta narração é a criação do homem e mulher a imagem e semelhança de Deus. Ser imagem e semelhança de Deus significa ser dotado de vontade e liberdade. Depois mostra a entrada e evolução do pecado atingindo a família com o assassinato de Abel. Para conter o avanço do pecado vem o dilúvio. Com a história da Torre de Babel, o autor sagrado mostra como os homens novamente tentam ocupar o lugar de Deus e são espalhados por toda a terra.

A seguir o texto apresenta Abraão, um pastor seminômade de Ur da Caldéia, que por inspiração divina deixa sua terra e sua família e vai à procura da terra prometida. O objetivo de o redator não descrever os fatos em si mesmos, mas descobrir neles a presença divina. O livro traz uma série de ensinamentos importantes. Estão apenas alguns elencados: Tudo o que existe foi criado por Deus criado com sabedoria e amor, portanto todas as criações são boas; Deus existe antes de todo tempo, é eterno, não foi criado; Homem e mulher são imagem e semelhança de Deus e , como tal, são os senhores de toda criação; A mulher é companheira do homem, ambos são uma só carne: Todo mal que existe no mundo é consequência da desobediência de todos nós seres humanos; Apesar do pecado, Deus não abandona a sua criatura., mas estabelece uma ralação amorosa: Assim, Deus não está longe e alheio à vida humana, mas participa de nossa história.

O LIVRO DO ÊXODO: Na Bíblia hebraica, esse livro se chama Nomes, porque começa relatando os nomes dos filhos de Jacó que desceram, para o Egito. Na Bíblia grega recebeu o título de Êxodo, que significa saída. Esse título resume o conteúdo do livro, a saída ou libertação dos israelitas do Egito. Porém, o livro não narra apenas a saída do Egito, mas sobretudo, a manifestação de Deus na montanha do Sinai e a Aliança. A libertação é narrada nos 15 primeiros capítulos. O livro é a continuação do Gênesis, após descrever rapidamente a situação humilhante dos israelitas no Egito, o livro começa a narrar a história do libertador, Moisés. Descreve a travessia entre o Egito e o monte Sinai, termina narrando a construção da Tenda ou Tabernáculo, onde Deus habitará.

O livro está assim dividido: Libertação do Egito; Caminho pelo deserto do Sinai; Aliança do Sinai. A historicidade dos fatos narrados é aceita unanimemente. Mas trata-se de uma história religiosa e de caráter popular, redigida muito tempo depois dos acontecimentos. O livro procura ressaltar a intervenção providencial de Deus na libertação e formação do povo eleito. Por isso, o autor sagrado deixa de lado as causas naturais dos acontecimentos e descreve tudo com ação milagrosa de Deus. Não se pode negar a ação divina na libertação de Israel da opressão do Egito, mas não se pode dizer que tudo aconteceu por uma série de intervenções milagrosas durante quarenta anos.

Podemos dizer que este livro é ponto central do AT, é o Evangelho do AT. Como os Evangelhos este livro contém a Boa Nova da libertação. A experiência fundamental do povo de Israel é a experiência do deus Libertador. Por isso, as narrações do Êxodo tornaram-se o protótipo de todas as outras libertações. Ainda hoje, estas narrações exercem grande influência. O faraó tornou-se símbolo de todas as opressões e alienações atuais; Israel representa os oprimidos e marginalizados. O próprio NT serve-se muitas vezes da temática do Êxodo. O Concilio Vaticano II definiu a Igreja como “povo peregrino” em busca da Pátria Celeste.

O LIVRO DO LEVÍTICO. Esse título faz referência ao conteúdo do livro, que é um grande código de leis, na sua maioria referentes ao culto e ao sacerdócio. Todos sacerdotes judeus eram da tribo de Levi. Daí o nome do livro: levítico, isto é, da tribo de Levi, ou seja, os sacerdotes e levitas. Podemos dizer que o livro é um grande ritual, em que se descrevem os sacrifícios, as festas, as ofertas, a consagração dos sacerdotes, o comportamento de todo povo diante de seu Deus. O livro está situado no coração do Pentateuco como se fosse o coração da Lei. Todas as leis nele recolhidas são consideradas como dadas por Deus no monte Sinai durante a celebração da Aliança. Mas uma análise mais profunda mostra que o livro contém leis muito posteriores, que foram reunidas e colocadas no contexto da aliança do Sinai.

O livro pode ser dividido em duas grandes partes:
– Parte cultual, com leis referentes ao culto (Lv 1-16).
– Parte legal, contendo leis que abrangem toda a vida do povo (Lv 17-26).

A primeira parte pode ser assim subdividida:
– Lv 1-7 – Leis sobre os sacrifícios: o holocausto, oblações, sacrifícios de comunhão, expiação e reparação.
– L v 8-10 – Leis sobre os sacerdotes.
– Lv 11-16 – Leis sobre a pureza e impureza.

A segunda parte pode ser chamada de Código de Santidade. A santidade deve abranger todos os níveis da vida do povo: social, cultual e temporal. O capítulo 27 é um apêndice com normas sobre votos e tarifas. Este livro é importante para uma compreensão do AT e do NT. Não podemos esquecer que Jesus, os Apóstolos e a igreja Primitiva seguiram muitas das prescrições aí descritas. Podemos também entender a atitude de Jesus contra os fariseus que insistiam, sobretudo nas questões de impureza e pureza.

Dentre muitos aspectos doutrinais, elencamos estes: O culto: é a concretização essencial do sacrifício. Oferecer sacrifícios é uma prática cultual muito antiga, comum a muitos povos. São um meio essencial de aproximar o homem de Deus. A importância da santidade: o conceito de santidade é, ainda, muito imperfeito; atém-se ao exterior das pessoas, contatos, alimentos, comportamentos. Mas essa santidade exterior deve ser reflexo da santidade interior. Não se trata de uma santidade religiosa, mas abrange toda a vida das pessoas.

O pecado: é visto como uma transgressão da Lei. Desobedecê-la é afastar-se de Deus. Por isso, o livro insiste tanto na necessidade de expiação, purificação para restabelecer a comunhão com Deus. Muitas destas Leis preservavam a saúde e o bem-estar do povo. Tinham o objetivo de eliminar muitas doenças, não por ritos mágicos, mas por meios naturais. Por mais estranho que pareça, o Levitico é um livro importante na historia da salvação. Não se explica por si mesmo, mas deve ser entendido no contexto global do AT.

 O LIVRO DE NÚMEROS. Na Tradição hebraica, esse livro é denominado Deserto, justamente porque narra a travessia do deserto pelos israelitas. Porém na tradução grega, recebeu o nome de Números por causa dos recenseamentos apresentados, sobretudo nos capítulos 1-4 e 26. O livro está intimamente unido aos livros do Ex e do Dt, a unidade do livro se deve ao quadro geográfico, isto é, o deserto entre o monte Sinai e as estepes da região de Moab, começa com uma indicação cronológica.

Descreve os últimos vinte dias passados no monte Sinai, os trinta e oito anos no deserto perto de Cades Barnéa e os seis meses na região de Moab. Os últimos acontecimentos no monte Sinai antes da partida são o recenseamento dos homens aptos para a guerra; a disposição das várias tribos no acampamento; uma série de prescrições sobre os levitas e outras leis; a celebração da páscoa; a apresentação da nuvem que cobre o tabernáculo. Logo depois, começa a marcha pelo deserto sob a direção do sogro de Moisés, que conhecia bem a região, pois era morador do Sinai.

A seguir, o livro apresenta as murmurações e lamentações do povo pelas dificuldades da viagem. Depois apresenta uma série de prescrições sobre as ofertas de alimento em alguns sacrifícios e sobre a violação do Sábado.
Em seguida narra a história do adivinho Balaão que ao invés de amaldiçoar, bendiz o povo de Israel; depois a idolatria dos israelitas provocada pelas mulheres de Moab e Madian, o castigo divino e o zelo de Finéias, neto de Aarão. É feito um novo recenseamento para dividir a terra prometida. Depois narra a história de Josué, a vitória sobre os madianitas, a divisão da Transjordânia, a retrospectiva das etapas do caminho pelo deserto, divisão de Canaã, termina dando disposições sobre as cidades refúgios para os homicidas e sobre a herança das mulheres casadas.

O livro pode ser dividido em três partes, tendo como base os três principais lugares onde os israelitas acamparam: o monte Sinai (aproximadamente 20 dias), Cades Barnéa (38 anos) e as planícies de Moab (mais ou menos 6 meses):

Números 1:10,10 – no monte Sinai.
Números 10, 11-21 – no deserto entre o monte Sinai e a região de Moab.
Números 22-36 – nas planícies de Moab. O livro apresenta o Israel do deserto como Israel ideal. Mas nem por isso deixa de narrar as revoltas sob as mais variadas formas: murmurações, desânimo, rejeição da mediação de Moisés, descrença, etc. Na teologia do autor, o deserto é o lugar em que Deus habita e caminha com seu povo, mas é também o lugar do pecado, da ingratidão, da revolta contra Deus.

O LIVRO DO DEUTERONÔMIO. O último livro do Pentateuco recebeu este nome que significa exatamente segunda (deuteros) lei (nomos). Na realidade, não se trata de uma segunda Lei, mas de uma segunda cópia da Lei. A maior parte do livro é formada por leis que repetem muitas vezes as apresentadas em Êxodo e Levítico. Na Bíblia Hebraica, esse livro é denominado Palavras, com referência aos discursos de Moisés nele contidos. Sua colocação no final do Pentateuco se deve à sua geografia e cronologia. É situado na região de Moab, no último ano da peregrinação pelo deserto, pouco antes da entrada na terra prometida.

O livro é formado por três discursos de Moisés, pronunciados em Moab pouco antes de sua morte. O objetivo dos discursos é confirmar a aliança do Sinai:
primeiro discurso de Moisés – Dt 1, 1-4, 40.
segundo discurso de Moisés (primeira parte) Dt 4, 41-11,32.
segundo discurso de Moisés (segunda parte) Dt 26, 16-28, 69
terceiro discurso de Moisés – Dt 29, 1-30, 20
apêndice histórico – Dt 31-34.

Embora os discursos do Deuteronômio sejam atribuídos a Moisés, seus verdadeiros autores e destinatários não viveram no século XIII a C., mas provavelmente no século VIII. O livro foi se formando gradativamente entre 750 e 400 a C. Provavelmente o núcleo central do livro (4, 1-28; 5, 1-9, 10; 12, 1-28, 46; 30, 11-20; 31, 9-13) foi redigido por um levita no reino de Israel nos meados do século VIII a C. Ele parece reunido a pregação de levitas itinerantes que percorriam o País, ensinando a Lei e relembrando a aliança do Sinai.

Por ocasião da destruição do reino de Israel, em 722 a C, o texto original do Deuteronômio foi trazido para o reino de Judá, talvez junto com o documento eloísta. Provavelmente o rei Ezequias (715-687 a C) serviu-se deste documento na sua reforma religiosa. O livro teria então recebido alguns acréscimos. Mas na reforma religiosa de Josias (640-609 a C), quando por ocasião da restauração do Templo (622 a C), se encontrou o Livro da Lei. Os biblistas concordam em afirmar que este livro é o Deuteronômio.

Os dois grandes protagonistas do Livro são Deus e Israel. O Deus de Abraão, Isaac e Jacó que se revelou a Moisés no Monte Sinai, escolhendo para si um povo dentre todos os povos da terra. Esta escolha amorosa exige de Israel uma resposta amorosa. Os homens se uenm por meio de pactos e alianças. Deus aceitou este modo dos homens se relacionarem e uniu-se a eles através da aliança. Este importante tema perpassa todo o Pentateuco. Os escribas que fizeram a última redação dos cinco livros estruturaram todo o texto com base na teologia da aliança divididos em quatro períodos: A criação até Noé; De Noé a Abraão; De Abraão a Moisés; De Moisés a Josué.

A primeira é descrita em Gênesis 9:1-17, o arco-íris no céu é o seu sinal. A aliança com Abraão foi depois renovada com Isaac e Jacó. A aliança do Sinai é a mais importante de todas. Ela determina o nascimento do Povo de Deus. Enquanto as alianças com Noé e Abraão eram muito mais uma promessa gratuita de Deus, a do Sinai requer maior participação humana. A aliança de Siquém marca o quarto período. Josué propõe ao povo servir a Deus ou a outros deuses, o povo se compromete a servir exclusivamente a Deus.


1 Depois reuniu Josué todas as tribos de Israel em Siquém; e chamou os anciãos de Israel, e os seus cabeças, e os seus juízes, e os seus oficiais; e eles se apresentaram diante de Deus.
2 Então Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Além do rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de Abraão e pai de Naor; e serviram a outros deuses.
3 Eu, porém, tomei a vosso pai Abraão dalém do rio e o fiz andar por toda a terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência e dei-lhe a Isaque.
4 E a Isaque dei Jacó e Esaú; e a Esaú dei a montanha de Seir, para a possuir; porém, Jacó e seus filhos desceram para o Egito.
5 Então enviei Moisés e Arão e feri ao Egito, como o fiz no meio deles; e depois vos tirei de lá.
6 E, tirando eu a vossos pais do Egito, viestes ao mar; e os egípcios perseguiram a vossos pais com carros e com cavaleiros, até ao Mar Vermelho.
7 E clamaram ao Senhor, que pôs uma escuridão entre vós e os egípcios, e trouxe o mar sobre eles, e os cobriu, e os vossos olhos viram o que eu fiz no Egito; depois habitastes no deserto muitos dias.
8 Então eu vos trouxe à terra dos amorreus, que habitavam além do Jordão, os quais pelejaram contra vós; porém os entreguei nas vossas mãos, e possuístes a sua terra, e os destruí de diante de vós.
9 Levantou-se também Balaque, filho de Zipor, rei dos moabitas e pelejou contra Israel; e mandou chamar a Balaão, filho de Beor, para que vos amaldiçoasse.
10 Porém eu não quis ouvir a Balaão; pelo que ele vos abençoou grandemente e eu vos livrei da sua mão.
11 E, passando vós o Jordão, e vindo a Jericó, os habitantes de Jericó pelejaram contra vós, os amorreus, e os perizeus, e os cananeus, e os heteus, e os girgaseus, e os heveus, e os jebuseus; porém os entreguei nas vossas mãos.
12 E enviei vespões adiante de vós, que os expulsaram de diante de vós, como a ambos os reis dos amorreus; não com a tua espada nem com o teu arco.
13 E eu vos dei a terra em que não trabalhastes, e cidades que não edificastes, e habitais nelas e comeis das vinhas e dos olivais que não plantastes.
14 Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade; e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais além do rio e no Egito, e servi ao Senhor.
15 Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.
16 Então respondeu o povo, e disse: Nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses;
17 Porque o Senhor é o nosso Deus; ele é o que nos fez subir, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da servidão, e o que tem feito estes grandes sinais aos nossos olhos, e nos guardou por todo o caminho que andamos, e entre todos os povos pelo meio dos quais passamos.
18 E o Senhor expulsou de diante de nós a todos esses povos, até ao amorreu, morador da terra; também nós serviremos ao Senhor, porquanto é nosso Deus.
19 Então Josué disse ao povo: Não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus santo, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados.
20 Se deixardes ao Senhor, e servirdes a deuses estranhos, então ele se tornará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito o bem.
21 Então disse o povo a Josué: Não, antes ao Senhor serviremos.
22 E Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes ao Senhor, para o servir. E disseram: Somos testemunhas.
23 Deitai, pois, agora, fora aos deuses estranhos que há no meio de vós, e inclinai o vosso coração ao Senhor Deus de Israel.
24 E disse o povo a Josué: Serviremos ao Senhor nosso Deus, e obedeceremos à sua voz.
25 Assim, naquele dia fez Josué aliança com o povo e lhe pôs por estatuto e direito em Siquém.
26 E Josué escreveu estas palavras no livro da lei de Deus; e tomou uma grande pedra, e a erigiu ali debaixo do carvalho que estava junto ao santuário do Senhor.
27 E disse Josué a todo o povo: Eis que esta pedra nos será por testemunho, pois ela ouviu todas as palavras, que o Senhor nos tem falado; e também será testemunho contra vós, para que não mintais a vosso Deus.
28 Então Josué enviou o povo, cada um para a sua herança.
29 E depois destas coisas sucedeu que Josué, filho de Num, servo do Senhor, faleceu, com idade de cento e dez anos.
30 E sepultaram-no no termo da sua herança, em Timnate-Sera, que está no monte de Efraim, para o norte do monte de Gaás.
31 Serviu, pois, Israel ao Senhor todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram muito tempo depois de Josué, e que sabiam todas as obras que o Senhor tinha feito a Israel.
32 Também os ossos de José, que os filhos de Israel trouxeram do Egito, foram enterrados em Siquém, naquela parte do campo que Jacó comprara aos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem peças de prata, e que se tornara herança dos filhos de José.
33 Faleceu também Eleazar, filho de Arão, e o sepultaram no outeiro de Finéias, seu filho, que lhe fora dado na montanha de Efraim. (Josué 24)